Avaliação geriátrica ampla: o que é e como funciona

É o modo como o geriatra avalia a pessoa idosa: não só as doenças, mas também a memória, o humor, a mobilidade, os remédios, a rotina e o apoio da família. O objetivo é montar um plano de cuidado que preserve a autonomia.

Por Dr. Thyago Mendes, médico geriatra · CRM-CE 19.049 · RQE 12.682

O que é a avaliação geriátrica ampla?

A avaliação geriátrica ampla (em inglês, comprehensive geriatric assessment) é um processo multidimensional de diagnóstico e planejamento do cuidado. Ela identifica as capacidades médicas, psicossociais e funcionais da pessoa idosa para desenvolver um plano coordenado, com o objetivo de preservar a saúde ao envelhecer.1

Na prática, significa que a consulta não termina na lista de doenças. O geriatra também pergunta o que a pessoa ainda consegue fazer sozinha, o que mudou nos últimos meses e o que mais importa para ela.

O que é avaliado na avaliação geriátrica ampla?

Saúde clínicaDoenças crônicas, sintomas, exame físico, exames de laboratório e de imagem quando necessários.
RemédiosLista completa, doses, interações, efeitos colaterais e o que ainda faz sentido manter. Veja polifarmácia.
FuncionalidadeAtividades do dia a dia: tomar banho, se vestir, comer, usar o banheiro, cozinhar, usar o telefone, lidar com dinheiro e com os próprios remédios.
Mobilidade e quedasEquilíbrio, força, velocidade de caminhada e risco de cair. Veja quedas em idosos.
Memória e pensamentoRastreio cognitivo e investigação de causas tratáveis. Veja esquecimento ou demência.
Humor e sonoSinais de tristeza persistente, ansiedade, insônia e solidão.
NutriçãoPeso, apetite, mastigação, deglutição e hidratação.
Visão e audiçãoPerdas sensoriais afetam a segurança, a convivência e a memória.
Vida social e ambienteQuem ajuda, como é a casa, se há apoio de familiares e se o cuidador está sobrecarregado.

Quais ferramentas são usadas?

O geriatra usa conversa, exame físico e instrumentos simples e validados. Um exemplo é o IVCF-20, questionário de 20 perguntas que ajuda a identificar a vulnerabilidade clínico-funcional de pessoas com 60 anos ou mais. Você pode responder por aqui, de graça: teste de fragilidade IVCF-20. O resultado do teste não é diagnóstico e deve ser interpretado numa consulta.

Em um estudo de validação com idosos brasileiros, o IVCF-20 mostrou correlação positiva com a avaliação geriátrica ampla e foi considerado viável como instrumento de triagem na atenção básica.2

O que dizem os estudos

Uma revisão sobre três décadas de pesquisas concluiu que os programas de avaliação geriátrica ampla realizados no domicílio e no hospital foram consistentemente benéficos para vários desfechos de saúde, enquanto os dados para outros formatos, como a consultoria ambulatorial, ainda são conflitantes.1 Isso mostra que o contexto onde a avaliação acontece e a seleção de quem se beneficia mais importam.

Quando fazer a avaliação geriátrica ampla?

  • a partir dos 60 anos, principalmente quando há mais de uma doença crônica ou uso de vários remédios;
  • depois de uma queda, de uma internação ou de uma perda de autonomia;
  • quando surgem esquecimentos, mudanças de humor ou de comportamento;
  • quando a família percebe que a rotina está mais difícil de manter;
  • antes de decisões importantes, como cirurgias ou mudanças de moradia.

Não existe um critério único que defina quem mais se beneficia da avaliação geriátrica ampla.1 Por isso, o geriatra decide com você, caso a caso.

Dúvidas frequentes

Quanto tempo leva?
Depende de cada pessoa. A avaliação costuma ser feita em uma ou mais consultas, e o médico combina com a família o que fazer primeiro.
Precisa de jejum ou preparo?
Não para a consulta. Se o médico pedir exames, ele orienta o preparo de cada um.
O paciente precisa concordar?
Sim. A avaliação é feita junto com o paciente, respeitando seus valores e suas preferências.

Fontes

  1. Pilotto A, Cella A, Pilotto A, et al. Three decades of comprehensive geriatric assessment: evidence coming from different healthcare settings and specific clinical conditions. J Am Med Dir Assoc. 2017;18(2):192.e1-192.e11. doi:10.1016/j.jamda.2016.11.004
  2. Moraes EN, Carmo JA, Moraes FL, Azevedo RS, Machado CJ, Montilla DER. Clinical-Functional Vulnerability Index-20 (IVCF-20): rapid recognition of frail older adults. Rev Saude Publica. 2016;50:81. doi:10.1590/S1518-8787.2016050006963
Dr. Thyago Mendes, médico geriatra
Dr. Thyago Mendes · Médico geriatra

CRM-CE 19.049 · RQE 12.682. Residência em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Publicado e atualizado em 1º de novembro de 2026.

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa precisa de avaliação individual.

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