O que costuma ser comum com a idade?
Com o passar dos anos, é comum que a velocidade para lembrar nomes ou palavras diminua. A pessoa esquece onde deixou as chaves, o nome de um conhecido ou o motivo de ter entrado em um cômodo, mas lembra depois, e continua se virando bem no dia a dia.
Também é comum que o esquecimento aumente quando há cansaço, sono ruim, preocupação, tristeza ou excesso de tarefas ao mesmo tempo.
Quais são os sinais de alerta?
Vale procurar avaliação quando o esquecimento começa a atrapalhar a vida ou quando a família percebe mudanças. Por exemplo:
- repetir a mesma pergunta ou a mesma história várias vezes no mesmo dia;
- perder-se em lugares conhecidos;
- dificuldade nova para lidar com dinheiro, contas, remédios ou tarefas que a pessoa sempre fez;
- dificuldade para achar palavras, acompanhar uma conversa ou entender o que lê;
- mudança de personalidade, desconfiança sem motivo, apatia ou irritação fora do comum;
- deixar de cuidar da higiene, da casa ou da alimentação;
- o próprio paciente percebe que algo mudou, ou a família percebe antes dele.
Memória não é tudo. A demência pode afetar a linguagem, a orientação, o raciocínio e o comportamento, e nem sempre o primeiro sintoma é o esquecimento.
Que causas de esquecimento podem ser tratadas?
Antes de falar em demência, o geriatra procura outras causas que também alteram a memória e a atenção. Entre elas:
- Depressão e ansiedade, que podem parecer problema de memória.
- Sono ruim ou apneia do sono.
- Remédios que causam sonolência ou confusão, principalmente quando há muitos em uso. Veja polifarmácia.
- Alterações na tireoide e deficiência de vitamina B12, identificadas por exames de sangue.
- Perda de audição e de visão, que reduzem a atenção e o contato com as pessoas.
- Infecções e desidratação, que podem causar confusão aguda e exigem atendimento.
Dá para prevenir a demência?
A Comissão Lancet sobre demência, em seu relatório de 2024, identificou 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida: menor escolaridade, perda de audição, colesterol LDL alto, depressão, traumatismo craniano, inatividade física, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social, poluição do ar e perda de visão não tratada.1 Segundo a comissão, cuidar desses fatores pode reduzir o risco de demência ou retardar o seu aparecimento em parte dos casos.
Isso não significa que alguém que cuida de tudo nunca terá demência. Significa que há o que fazer: tratar a pressão e a diabetes, manter-se ativo, cuidar do sono e do humor, usar aparelho auditivo e óculos quando indicados, e manter a vida social.
Como é a avaliação da memória?
- Conversa com o paciente e com a família sobre o que mudou e desde quando.
- Revisão dos remédios e das doenças já conhecidas.
- Testes de memória e de outras funções do pensamento, além de avaliação da rotina e do humor.
- Exame físico e, quando necessário, exames de sangue e de imagem do cérebro.
- Plano combinado, com tratamento das causas encontradas e orientação para a família.
A avaliação de memória faz parte da avaliação geriátrica ampla. Se a pessoa tem 60 anos ou mais, também pode responder ao teste IVCF-20, que inclui perguntas sobre memória e dia a dia. Ele não faz diagnóstico.
Para a família
- converse com carinho, sem corrigir ou envergonhar a pessoa;
- anote exemplos concretos, com datas aproximadas, e leve para a consulta;
- leve também os remédios e exames recentes;
- procure o geriatra antes de a situação ficar difícil de manejar: quanto antes se entende a causa, mais opções existem.
Confusão que começa de repente é urgência.
Se a pessoa ficou confusa em poucas horas ou dias, muito sonolenta, ou tem fraqueza, dificuldade para falar ou desvio da boca, procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192).
Dúvidas frequentes
- Esquecimento é sempre sinal de Alzheimer?
- Não. A doença de Alzheimer é uma das causas de demência, mas há muitas outras causas de esquecimento, algumas tratáveis. Só a avaliação médica pode esclarecer.
- Dá para prevenir a demência?
- Cuidar dos fatores de risco modificáveis pode reduzir o risco ou retardar o aparecimento em parte dos casos, segundo a Comissão Lancet.1 Isso não é garantia para cada pessoa.
- Como levar a pessoa à consulta se ela não aceita?
- Explique, com carinho, que é uma avaliação geral de saúde. A família também pode ir antes para contar ao médico o que observou.
