O que é a avaliação geriátrica ampla?
A avaliação geriátrica ampla (em inglês, comprehensive geriatric assessment) é um processo multidimensional de diagnóstico e planejamento do cuidado. Ela identifica as capacidades médicas, psicossociais e funcionais da pessoa idosa para desenvolver um plano coordenado, com o objetivo de preservar a saúde ao envelhecer.1
Na prática, significa que a consulta não termina na lista de doenças. O geriatra também pergunta o que a pessoa ainda consegue fazer sozinha, o que mudou nos últimos meses e o que mais importa para ela.
O que é avaliado na avaliação geriátrica ampla?
| Saúde clínica | Doenças crônicas, sintomas, exame físico, exames de laboratório e de imagem quando necessários. |
|---|---|
| Remédios | Lista completa, doses, interações, efeitos colaterais e o que ainda faz sentido manter. Veja polifarmácia. |
| Funcionalidade | Atividades do dia a dia: tomar banho, se vestir, comer, usar o banheiro, cozinhar, usar o telefone, lidar com dinheiro e com os próprios remédios. |
| Mobilidade e quedas | Equilíbrio, força, velocidade de caminhada e risco de cair. Veja quedas em idosos. |
| Memória e pensamento | Rastreio cognitivo e investigação de causas tratáveis. Veja esquecimento ou demência. |
| Humor e sono | Sinais de tristeza persistente, ansiedade, insônia e solidão. |
| Nutrição | Peso, apetite, mastigação, deglutição e hidratação. |
| Visão e audição | Perdas sensoriais afetam a segurança, a convivência e a memória. |
| Vida social e ambiente | Quem ajuda, como é a casa, se há apoio de familiares e se o cuidador está sobrecarregado. |
Quais ferramentas são usadas?
O geriatra usa conversa, exame físico e instrumentos simples e validados. Um exemplo é o IVCF-20, questionário de 20 perguntas que ajuda a identificar a vulnerabilidade clínico-funcional de pessoas com 60 anos ou mais. Você pode responder por aqui, de graça: teste de fragilidade IVCF-20. O resultado do teste não é diagnóstico e deve ser interpretado numa consulta.
Em um estudo de validação com idosos brasileiros, o IVCF-20 mostrou correlação positiva com a avaliação geriátrica ampla e foi considerado viável como instrumento de triagem na atenção básica.2
O que dizem os estudos
Uma revisão sobre três décadas de pesquisas concluiu que os programas de avaliação geriátrica ampla realizados no domicílio e no hospital foram consistentemente benéficos para vários desfechos de saúde, enquanto os dados para outros formatos, como a consultoria ambulatorial, ainda são conflitantes.1 Isso mostra que o contexto onde a avaliação acontece e a seleção de quem se beneficia mais importam.
Quando fazer a avaliação geriátrica ampla?
- a partir dos 60 anos, principalmente quando há mais de uma doença crônica ou uso de vários remédios;
- depois de uma queda, de uma internação ou de uma perda de autonomia;
- quando surgem esquecimentos, mudanças de humor ou de comportamento;
- quando a família percebe que a rotina está mais difícil de manter;
- antes de decisões importantes, como cirurgias ou mudanças de moradia.
Não existe um critério único que defina quem mais se beneficia da avaliação geriátrica ampla.1 Por isso, o geriatra decide com você, caso a caso.
Dúvidas frequentes
- Quanto tempo leva?
- Depende de cada pessoa. A avaliação costuma ser feita em uma ou mais consultas, e o médico combina com a família o que fazer primeiro.
- Precisa de jejum ou preparo?
- Não para a consulta. Se o médico pedir exames, ele orienta o preparo de cada um.
- O paciente precisa concordar?
- Sim. A avaliação é feita junto com o paciente, respeitando seus valores e suas preferências.
