O que é polifarmácia?
Polifarmácia é o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo. Não existe um número único aceito por todos. Uma revisão sistemática de definições encontrou que a mais usada é o uso diário de cinco ou mais medicamentos, mas as definições variam de dois ou mais a onze ou mais.1
Os autores destacam que apenas contar remédios não diz se o uso é adequado: o que importa é o conjunto das doenças da pessoa e o motivo de cada medicamento.1 Há pessoas que precisam de muitos remédios, e isso é adequado. O problema é quando se acumulam remédios sem revisão.
Por que o uso de muitos remédios merece atenção?
Com o envelhecimento, o corpo pode processar os remédios de outro jeito, e o risco de efeitos colaterais e de interação entre medicamentos costuma aumentar. Alguns efeitos aparecem como sintomas que parecem “coisa da idade”:
- tontura ou pressão que cai ao levantar;
- sonolência ou confusão;
- queda, ou medo de cair. Veja quedas em idosos;
- prisão de ventre, boca seca, dificuldade para urinar;
- perda de apetite, enjoo ou piora da memória. Veja esquecimento ou demência.
Se algum desses sintomas começou depois da introdução de um remédio, converse com o médico.
Existem listas de medicamentos a evitar em idosos?
Os Critérios de Beers, da Sociedade Americana de Geriatria, são uma lista explícita de medicamentos potencialmente inadequados para pessoas com 65 anos ou mais, que em geral é melhor evitar na maioria das circunstâncias ou em certas condições. A versão de 2023 inclui novos critérios e modificações em relação à de 2019.2
A própria publicação lembra que a lista foi feita para os Estados Unidos, que pode haver considerações específicas em outros países e que ela deve apoiar, e não substituir, a decisão compartilhada entre médico e paciente.2 Por isso, o geriatra usa a lista como apoio e decide caso a caso.
Como é a revisão dos remédios?
- Lista completa. Todos os remédios, doses e horários, incluindo vitaminas, chás, pomadas e colírios.
- Para que serve cada um. O médico confere se cada remédio ainda tem indicação e se continua sendo útil.
- O que pode ser ajustado. Doses, horários, trocas ou retiradas, sempre de forma combinada com o paciente e com os outros médicos.
- Acompanhamento. Mudanças são feitas aos poucos, com reavaliação para ver como a pessoa responde.
Não suspenda nem troque remédios por conta própria.
Parar um medicamento de uso contínuo sem orientação pode ser perigoso, mesmo quando ele parece desnecessário. Quem decide é o médico, junto com você.
Como organizar os remédios em casa?
- mantenha uma lista atualizada com nome, dose, horário e motivo de cada remédio;
- leve a lista e as caixas a todas as consultas, inclusive de outros especialistas;
- use um organizador semanal de comprimidos, se ajudar;
- cuidado com a automedicação e com remédios indicados por amigos ou comprados sem receita;
- informe o médico sobre todos os produtos naturais e suplementos;
- descarte remédios vencidos em pontos de coleta, e não no lixo comum.
Quando procurar o geriatra para revisar os remédios?
Procure a revisão quando a pessoa usa vários remédios e tem tontura, quedas, sonolência, confusão ou perda de apetite, ou depois de uma internação, quando a lista muda com frequência. A revisão faz parte da avaliação geriátrica ampla e pode ser feita no consultório, em casa ou por consulta online.
Dúvidas frequentes
- Quantos remédios são “muitos”?
- Não há consenso. A definição mais usada é cinco ou mais medicamentos por dia, mas o que importa é se cada um ainda é necessário.1
- Vitaminas, chás e suplementos contam?
- Sim. Eles devem entrar na lista levada ao médico, porque também podem causar efeitos e interagir com outros remédios.
- Posso parar um remédio que acho desnecessário?
- Não por conta própria. Converse com o médico, que avalia se pode ser retirado, ajustado ou trocado, e como fazer isso com segurança.
