Muitos remédios: o que é polifarmácia e quando revisar a lista

Quem tem várias doenças costuma usar vários remédios. Isso muitas vezes é necessário, mas a lista precisa ser revisada de tempos em tempos, porque o que fazia sentido anos atrás pode já não fazer.

Por Dr. Thyago Mendes, médico geriatra · CRM-CE 19.049 · RQE 12.682

O que é polifarmácia?

Polifarmácia é o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo. Não existe um número único aceito por todos. Uma revisão sistemática de definições encontrou que a mais usada é o uso diário de cinco ou mais medicamentos, mas as definições variam de dois ou mais a onze ou mais.1

Os autores destacam que apenas contar remédios não diz se o uso é adequado: o que importa é o conjunto das doenças da pessoa e o motivo de cada medicamento.1 Há pessoas que precisam de muitos remédios, e isso é adequado. O problema é quando se acumulam remédios sem revisão.

Por que o uso de muitos remédios merece atenção?

Com o envelhecimento, o corpo pode processar os remédios de outro jeito, e o risco de efeitos colaterais e de interação entre medicamentos costuma aumentar. Alguns efeitos aparecem como sintomas que parecem “coisa da idade”:

  • tontura ou pressão que cai ao levantar;
  • sonolência ou confusão;
  • queda, ou medo de cair. Veja quedas em idosos;
  • prisão de ventre, boca seca, dificuldade para urinar;
  • perda de apetite, enjoo ou piora da memória. Veja esquecimento ou demência.

Se algum desses sintomas começou depois da introdução de um remédio, converse com o médico.

Existem listas de medicamentos a evitar em idosos?

Os Critérios de Beers, da Sociedade Americana de Geriatria, são uma lista explícita de medicamentos potencialmente inadequados para pessoas com 65 anos ou mais, que em geral é melhor evitar na maioria das circunstâncias ou em certas condições. A versão de 2023 inclui novos critérios e modificações em relação à de 2019.2

A própria publicação lembra que a lista foi feita para os Estados Unidos, que pode haver considerações específicas em outros países e que ela deve apoiar, e não substituir, a decisão compartilhada entre médico e paciente.2 Por isso, o geriatra usa a lista como apoio e decide caso a caso.

Como é a revisão dos remédios?

  1. Lista completa. Todos os remédios, doses e horários, incluindo vitaminas, chás, pomadas e colírios.
  2. Para que serve cada um. O médico confere se cada remédio ainda tem indicação e se continua sendo útil.
  3. O que pode ser ajustado. Doses, horários, trocas ou retiradas, sempre de forma combinada com o paciente e com os outros médicos.
  4. Acompanhamento. Mudanças são feitas aos poucos, com reavaliação para ver como a pessoa responde.

Não suspenda nem troque remédios por conta própria.

Parar um medicamento de uso contínuo sem orientação pode ser perigoso, mesmo quando ele parece desnecessário. Quem decide é o médico, junto com você.

Como organizar os remédios em casa?

  • mantenha uma lista atualizada com nome, dose, horário e motivo de cada remédio;
  • leve a lista e as caixas a todas as consultas, inclusive de outros especialistas;
  • use um organizador semanal de comprimidos, se ajudar;
  • cuidado com a automedicação e com remédios indicados por amigos ou comprados sem receita;
  • informe o médico sobre todos os produtos naturais e suplementos;
  • descarte remédios vencidos em pontos de coleta, e não no lixo comum.

Quando procurar o geriatra para revisar os remédios?

Procure a revisão quando a pessoa usa vários remédios e tem tontura, quedas, sonolência, confusão ou perda de apetite, ou depois de uma internação, quando a lista muda com frequência. A revisão faz parte da avaliação geriátrica ampla e pode ser feita no consultório, em casa ou por consulta online.

Dúvidas frequentes

Quantos remédios são “muitos”?
Não há consenso. A definição mais usada é cinco ou mais medicamentos por dia, mas o que importa é se cada um ainda é necessário.1
Vitaminas, chás e suplementos contam?
Sim. Eles devem entrar na lista levada ao médico, porque também podem causar efeitos e interagir com outros remédios.
Posso parar um remédio que acho desnecessário?
Não por conta própria. Converse com o médico, que avalia se pode ser retirado, ajustado ou trocado, e como fazer isso com segurança.

Fontes

  1. Masnoon N, Shakib S, Kalisch-Ellett L, Caughey GE. What is polypharmacy? A systematic review of definitions. BMC Geriatr. 2017;17(1):230. doi:10.1186/s12877-017-0621-2
  2. 2023 American Geriatrics Society Beers Criteria Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. J Am Geriatr Soc. 2023;71(7):2052-2081. doi:10.1111/jgs.18372
Dr. Thyago Mendes, médico geriatra
Dr. Thyago Mendes · Médico geriatra

CRM-CE 19.049 · RQE 12.682. Residência em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Publicado e atualizado em 1º de novembro de 2026.

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa precisa de avaliação individual.

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Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 17h. Agendamento pelo WhatsApp.

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