Quedas em idosos: como reduzir o risco e o que fazer

Cair não é consequência inevitável de envelhecer. Muitas quedas têm causas que podem ser identificadas e tratadas: fraqueza, remédios, tontura, visão e riscos dentro de casa.

Por Dr. Thyago Mendes, médico geriatra · CRM-CE 19.049 · RQE 12.682

Por que as quedas em idosos importam?

As quedas são comuns entre pessoas idosas e afetam a independência funcional e a qualidade de vida e estão associadas a maior morbidade e mortalidade.1 Nos Estados Unidos, em 2018, 27,5% dos adultos com 65 anos ou mais relataram ao menos uma queda no ano anterior, e 10,2% tiveram uma lesão por queda.2 São dados de outro país, mas ajudam a mostrar a dimensão do problema.

Além do machucado, a queda muitas vezes deixa medo de cair de novo. Esse medo pode levar a pessoa a se movimentar menos, o que costuma reduzir a força e o equilíbrio.

O que aumenta o risco de queda?

  • Fraqueza muscular e problemas de equilíbrio e de marcha.
  • Remédios: alguns causam sonolência, tontura ou queda de pressão ao levantar. Quanto mais remédios, maior a chance de interações. Veja polifarmácia.
  • Pressão que cai ao ficar de pé, com tontura ou escurecimento da visão.
  • Visão e audição reduzidas.
  • Problemas nos pés e calçados inadequados.
  • Alterações de memória e de atenção.
  • Riscos em casa: tapetes soltos, pouca luz, degraus, piso escorregadio e banheiro sem apoio.
  • Queda anterior.

O que ajuda a prevenir quedas?

As diretrizes mundiais sobre quedas recomendam que todas as pessoas idosas recebam orientação sobre prevenção de quedas e atividade física. Para quem tem risco alto, recomendam uma avaliação multifatorial, seguida de um plano personalizado com várias medidas combinadas.1

O Grupo de Trabalho de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) recomenda programas de exercício para adultos com 65 anos ou mais que têm risco aumentado de cair, com benefício moderado e evidência de certeza moderada. Para as intervenções multifatoriais, o benefício líquido de oferecê-las a todos é pequeno, e a decisão deve ser individualizada.2

Na prática

  • Movimento orientado: exercícios de força e de equilíbrio, de preferência com acompanhamento de um profissional de educação física ou de fisioterapia.
  • Revisão dos remédios com o médico, para retirar ou ajustar o que não é mais necessário. Nunca suspenda um remédio por conta própria.
  • Visão e audição em dia, com consulta e exames periódicos.
  • Calçados fechados, firmes e com solado antiderrapante.
  • Casa segura: retirar tapetes soltos, aumentar a iluminação, instalar barras de apoio no banheiro e deixar o caminho livre.
  • Levantar devagar: sentar na beira da cama por um momento antes de ficar de pé.

Quando procurar atendimento depois de uma queda?

Procure um pronto atendimento se, depois de uma queda:

  • houve batida na cabeça, principalmente se a pessoa usa anticoagulante;
  • há dor intensa, deformidade, inchaço ou incapacidade de apoiar o peso na perna;
  • a pessoa está confusa, muito sonolenta ou desmaiou;
  • não consegue se levantar sozinha.

Mesmo sem lesão aparente, qualquer queda merece conversa com o médico. Ela pode ser o sinal de um problema que ainda não foi identificado: um remédio que não está bem ajustado, uma pressão baixa ao levantar, uma infecção ou um problema de memória. Se a pessoa teve mais de uma queda, tem medo de cair ou anda cada vez mais devagar, uma avaliação geriátrica ampla ajuda a entender as causas.

Se você cuida de uma pessoa idosa

  • observe se ela evita sair de casa ou se segura nos móveis para andar;
  • anote quando e onde as quedas ou quase-quedas acontecem, e o que a pessoa estava fazendo;
  • leve essa lista, com os remédios, à consulta;
  • na visita domiciliar, o médico pode observar a casa e orientar mudanças simples.

Dúvidas frequentes

Quem já caiu uma vez tem mais risco de cair de novo?
Sim. Queda anterior é um dos fatores que aumentam o risco, por isso ela deve ser contada ao médico, mesmo que não tenha causado machucado.
Posso fazer exercício se tenho medo de cair?
Em geral, sim, e a atividade física é recomendada para pessoas idosas pelas diretrizes.1 O ideal é começar com orientação de um profissional e com o aval do médico, adaptando o exercício à sua condição.
Bengala ou andador ajudam?
Depende de cada caso. O dispositivo precisa ser indicado e ajustado por um profissional (médico ou fisioterapeuta), porque um aparelho mal ajustado pode atrapalhar.

Fontes

  1. Montero-Odasso M, van der Velde N, Martin FC, et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults: a global initiative. Age Ageing. 2022;51(9):afac205. doi:10.1093/ageing/afac205
  2. US Preventive Services Task Force. Interventions to prevent falls in community-dwelling older adults: recommendation statement. JAMA. 2024;332(1):51-57. doi:10.1001/jama.2024.8481
Dr. Thyago Mendes, médico geriatra
Dr. Thyago Mendes · Médico geriatra

CRM-CE 19.049 · RQE 12.682. Residência em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Publicado e atualizado em 1º de novembro de 2026.

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa precisa de avaliação individual.

Teve uma queda ou tem medo de cair?

Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 17h. Agendamento pelo WhatsApp.

Dr. Thyago MendesMédico geriatra · CRM-CE 19049
Agendar