Esquecimento ou demência? Sinais de alerta e quando investigar

Esquecer onde deixou os óculos não significa demência. Mas alguns sinais merecem atenção, porque há causas de esquecimento que podem ser identificadas e tratadas.

Por Dr. Thyago Mendes, médico geriatra · CRM-CE 19.049 · RQE 12.682

O que costuma ser comum com a idade?

Com o passar dos anos, é comum que a velocidade para lembrar nomes ou palavras diminua. A pessoa esquece onde deixou as chaves, o nome de um conhecido ou o motivo de ter entrado em um cômodo, mas lembra depois, e continua se virando bem no dia a dia.

Também é comum que o esquecimento aumente quando há cansaço, sono ruim, preocupação, tristeza ou excesso de tarefas ao mesmo tempo.

Quais são os sinais de alerta?

Vale procurar avaliação quando o esquecimento começa a atrapalhar a vida ou quando a família percebe mudanças. Por exemplo:

  • repetir a mesma pergunta ou a mesma história várias vezes no mesmo dia;
  • perder-se em lugares conhecidos;
  • dificuldade nova para lidar com dinheiro, contas, remédios ou tarefas que a pessoa sempre fez;
  • dificuldade para achar palavras, acompanhar uma conversa ou entender o que lê;
  • mudança de personalidade, desconfiança sem motivo, apatia ou irritação fora do comum;
  • deixar de cuidar da higiene, da casa ou da alimentação;
  • o próprio paciente percebe que algo mudou, ou a família percebe antes dele.

Memória não é tudo. A demência pode afetar a linguagem, a orientação, o raciocínio e o comportamento, e nem sempre o primeiro sintoma é o esquecimento.

Que causas de esquecimento podem ser tratadas?

Antes de falar em demência, o geriatra procura outras causas que também alteram a memória e a atenção. Entre elas:

  • Depressão e ansiedade, que podem parecer problema de memória.
  • Sono ruim ou apneia do sono.
  • Remédios que causam sonolência ou confusão, principalmente quando há muitos em uso. Veja polifarmácia.
  • Alterações na tireoide e deficiência de vitamina B12, identificadas por exames de sangue.
  • Perda de audição e de visão, que reduzem a atenção e o contato com as pessoas.
  • Infecções e desidratação, que podem causar confusão aguda e exigem atendimento.

Dá para prevenir a demência?

A Comissão Lancet sobre demência, em seu relatório de 2024, identificou 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida: menor escolaridade, perda de audição, colesterol LDL alto, depressão, traumatismo craniano, inatividade física, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social, poluição do ar e perda de visão não tratada.1 Segundo a comissão, cuidar desses fatores pode reduzir o risco de demência ou retardar o seu aparecimento em parte dos casos.

Isso não significa que alguém que cuida de tudo nunca terá demência. Significa que há o que fazer: tratar a pressão e a diabetes, manter-se ativo, cuidar do sono e do humor, usar aparelho auditivo e óculos quando indicados, e manter a vida social.

Como é a avaliação da memória?

  1. Conversa com o paciente e com a família sobre o que mudou e desde quando.
  2. Revisão dos remédios e das doenças já conhecidas.
  3. Testes de memória e de outras funções do pensamento, além de avaliação da rotina e do humor.
  4. Exame físico e, quando necessário, exames de sangue e de imagem do cérebro.
  5. Plano combinado, com tratamento das causas encontradas e orientação para a família.

A avaliação de memória faz parte da avaliação geriátrica ampla. Se a pessoa tem 60 anos ou mais, também pode responder ao teste IVCF-20, que inclui perguntas sobre memória e dia a dia. Ele não faz diagnóstico.

Para a família

  • converse com carinho, sem corrigir ou envergonhar a pessoa;
  • anote exemplos concretos, com datas aproximadas, e leve para a consulta;
  • leve também os remédios e exames recentes;
  • procure o geriatra antes de a situação ficar difícil de manejar: quanto antes se entende a causa, mais opções existem.

Confusão que começa de repente é urgência.

Se a pessoa ficou confusa em poucas horas ou dias, muito sonolenta, ou tem fraqueza, dificuldade para falar ou desvio da boca, procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192).

Dúvidas frequentes

Esquecimento é sempre sinal de Alzheimer?
Não. A doença de Alzheimer é uma das causas de demência, mas há muitas outras causas de esquecimento, algumas tratáveis. Só a avaliação médica pode esclarecer.
Dá para prevenir a demência?
Cuidar dos fatores de risco modificáveis pode reduzir o risco ou retardar o aparecimento em parte dos casos, segundo a Comissão Lancet.1 Isso não é garantia para cada pessoa.
Como levar a pessoa à consulta se ela não aceita?
Explique, com carinho, que é uma avaliação geral de saúde. A família também pode ir antes para contar ao médico o que observou.

Fontes

  1. Livingston G, Huntley J, Liu KY, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024;404(10452):572-628. doi:10.1016/S0140-6736(24)01296-0
Dr. Thyago Mendes, médico geriatra
Dr. Thyago Mendes · Médico geriatra

CRM-CE 19.049 · RQE 12.682. Residência em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Publicado e atualizado em 1º de novembro de 2026.

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa precisa de avaliação individual.

Está preocupado com a memória de alguém da família?

Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 17h. Agendamento pelo WhatsApp.

Dr. Thyago MendesMédico geriatra · CRM-CE 19049
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